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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Um tal sorriso


Tal sorriso tímido me chama atenção...
Lembra o acorde que faltara na minha canção,
Estranha essa melodia que vem,
Que se faz dança no ritmo novo,
Num novo batuque do coração...
É completo e oposto aos olhos secos,
Que não viam mais nada, além da escuridão.
Assemelha-se ao casulo que está quase se abrindo,
Mariposa que voa, que baila, que vai, talvez volte...

A neblina que se dissipa, luz que se abre,
Sorriso se mostrando por entre os lábios,
Clareia o que antes foi terror,
Foi angústia e ainda é medo...
Aos olhos, tal sorriso atrai,
Ao coração, convida para bailar,
Mas a mente se mostra receosa,
Temente, traumatizada...
E antes do sim ou do não,
Quem decide é o coração,
Muito além do alcance da razão...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ao lado dos meus


Não deveria me importar,
Talvez nem era pra ser da minha conta...
Eu poderia fingir que estou feliz,
Que está tudo bem,
Ignorar fatos e fatores casuais...
Poderia ser apenas mais um homem,
Trabalhador, expectador da realidade,
Telespectador dos programas de domingo...
Talvez eu nem me importaria,
Seria indiferente,
Culparia alguém e sairia com a mente limpa!

Mas me importo! E como me importo!
Não sei fingir que não vi,
Fingir que não sei, fingir que não sou!
É duro ver a realidade sugar vidas,
Homens, mulheres, crianças, idosos,
Chefes-de-familia, trabalhadores,
Incapazes, sonhadores,
Mera mão-de-obra...
Não sou indiferente nessa guerra,
Não dá pra ficar em cima do muro,
Uma muralha que protege os fortes,
Que oprime os fracos
E, pior ainda, os humilha...
Distância que é indigna,
Intrigante, obscura,  solitária...
Aos meus olhos, não posso parar!
Me importa sim e assim deve ser,
Porque já que tive que escolher um lado,
Escolhi estar ao lado dos meus!

domingo, 13 de maio de 2012

A volta da viagem!

Sopra frio o vento nessa janela,
 Sussurra baixinho o canto da noite.
 E a lua sozinha em seu céu imenso
 Assemelha-se ao poeta no quarto vazio...

 A companhia da viola que suspira também,
 Chorosa e sofrida por chorar tão bem
 A distância de um tempo que é sonhado,
 Tão esperado pelos olhos fartos da viagem...

 O caminho foi longo, cansativo, traiçoeiro...
 Restaram-me algumas moedas no bolso,
 Um retrato mal guardado na memória,
 Lembrança que o tempo logo vem apagar...

 Sou canção no mês de abril,
 Sou a voz das silenciosas lágrimas,
Sou aquele que um dia foi certeiro,
Hoje sou homem sonhador...

Canto para quem vem me ouvir,
Choro com quem vejo chorar,
Abraço pelo prazer em abraçar,
Amo porque sempre há espaço pra se amar...